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Adustinense aluno de escola pública conta como conseguiu aprovação no vestibular

Publicado por Rodrygo Ferraz em sábado, 29 de agosto de 2015

Selecionados em algumas das melhores universidades do país, eles mostram que é possível superar as dificuldades com dedicação e persistência

Se entrar em uma universidade pública já é um desafio para quem estuda em colégios bem conceituados e voltados para o vestibular, talvez pareça um sonho ainda mais distante para alunos da rede pública que não puderam contar com um ensino de qualidade. Mas isso não significa que seja um sonho impossível. O GUIA DO ESTUDANTE tem recebido muitos relatos inspiradores de vestibulandos que venceram as dificuldades e chegaram lá.

“Só quem é de escola pública sabe a dificuldade de ser aprovado em um vestibular concorrido”, diz Rafhael Andrade Santos, de Adustina (BA).


Persistência


“Na minha escola, os professores nunca comentaram sobre faculdade, cursos e vestibular”, diz Tatiana Rodrigues Cardoso (foto abaixo), 19 anos, de Salinópolis (PA). Apenas três alunos de sua turma prestaram e passaram no vestibular. Foi em um cursinho popular gratuito que ela obteve informações sobre como deveria se preparar para os processos seletivos. Já para a escolha da profissão, contou com a ajuda do Guia do Estudante. Neste ano, passou em cinco universidades: UFPA (Ciências Sociais), UFRA (Ciências Contábeis, pelo Sisu), UNIFESSPA (Ciências Sociais), UEPA (Filosofia) E UNOPAR (Ciências Contábeis e Serviço Social, ambos com bolsas integrais). Optou pela primeira por gostar de “discutir e entender a sociedade como um todo”. 



Tatiana diz que, para passar, foi fundamental ter foco e determinação e manter uma boa rotina de estudos em casa, já que as aulas no cursinho ocorriam apenas aos finais de semana. “Eu consegui passar depois de duas tentativas – no primeiro ano, fiz só o ensino médio e, no segundo, fiz o cursinho –, mas fui paciente. Minha dica é não ficar nervoso com a concorrência para o seu curso e manter a calma na hora da prova, pois assim tudo o que você estudou vem naturalmente”, aconselha. 


Estudos em dobro


“Só quem é de escola pública sabe a dificuldade de chegar ao terceiro ano e ser aprovado em um vestibular, principalmente quando se trata de um curso concorrido como Odontologia”, comemora Rafhael Andrade Santos, 16 anos, de Adustina (BA), que passou em terceiro lugar na Universidade Federal de Sergipe (UFS) sem cursinho. 


Para conseguir realizar seu sonho, ele começou a se preparar bem cedo: apaixonou-se pela profissão aos sete anos e já começou a pensar nos processos seletivos quando ainda estava no ensino fundamental. “Mas só comecei a me dedicar inteiramente a partir da segunda série do ensino médio. Minha escola falava sobre vestibular, mas não o suficiente. As informações mais necessárias eu obtive com pesquisas individuais na internet”, conta. 


“É fato: quem veio de uma escola que não deu preparo suficiente para a aprovação no vestibular, precisa se esforçar mais do que os outros. Mas trata-se mais de uma questão de quantidade de estudo do que de qualidade do aluno”, afirma o professor Alexandre Eneias Gobbis, diretor do cursinho do XI, um cursinho popular de São Paulo que recebe muitos alunos de escola pública. Ele explica: “Um aluno que tem essa consciência, e quer entrar em uma universidade pública, já tem qualidade. O problema é que ele não teve tempo de estudo das matérias que caem nas provas, e para compensar é preciso estudar muito em casa, fazendo cursinho ou não”. 


Para auxiliar no estudo, o professor diz que é importante usar apostilas ou livros mais voltados ao vestibular e listas de exercícios, além de ler jornais e as obras literárias exigidas, caso haja uma lista obrigatória (o Enem, por exemplo, não pede nenhuma específica). O estudante pode conseguir isso na biblioteca de sua cidade, com amigos que tenham feito cursinho, em lojas de livros usados e, no caso das listas de exercícios, na internet. O importante é não medir esforços na hora do estudo. 


Foi o que Rafhael fez. Ele diz que seu colégio ensinava a matéria de forma muito “mecânica” e algumas vezes descontextualizada, o que, embora até fosse útil para vestibulares tradicionais, dificultava o sucesso dos alunos no Enem (usado como processo seletivo para todas as universidades federais e muitas estaduais). Assim, teve de se preparar sozinho. “Estudei pelos livros preparatórios do Guia do Estudante, além de acompanhar videoaulas em vários sites da internet e resolver exercícios”. Sua rotina era puxada: ele passava quase 12 horas por dia estudando e contou com a ajuda de um psicólogo para lidar com a ansiedade. “Mas no decorrer do ano aprendi a lidar melhor com a pressão, visto que meus pais me deram muito apoio”, completa. 


Busca de informações


Além do conteúdo que cai na prova, é fundamental que os estudantes pesquisem e conheçam as possibilidades que têm com as cotas e bolsas de estudo. “O sistema de cotas é um paliativo, mas é um direito desses estudantes, uma vez que o Estado não lhes deu o preparo que eles mereciam. A culpa não é deles, e usar o benefício das cotas não é motivo nenhum de vergonha”, diz o professor. Além disso, é importante conhecer bem as provas que eles irão fazer, pesquisando o tempo de duração de cada uma e baixando e resolvendo edições antigas para saber como os assuntos costumam ser abordados. Todos os estudantes desta matéria usaram o sistema de cotas.
A vida depois do vestibular 


O desafio para alunos de escola pública vai além do vestibular: muitos temem não acompanhar o conteúdo das aulas durante a faculdade, por não terem uma boa base. Mas o professor Alexandre garante que isso também pode ser resolvido – desde que eles continuem se dedicando. “É importante saber que a decisão de entrar em uma universidade pública significa um divisor de águas na vida do estudante. Ele vai ter de reestruturar sua rotina, tanto na preparação para o processo seletivo quanto depois que entrar na universidade, mas precisa saber que é possível se dar bem”, explica. E a solução está, mais uma vez, na quantidade de estudo. “Um aluno que veio de uma escola fraca precisa estudar dobrado, especialmente em carreiras tecnológicas, como Engenharia. Tem muita gente que entra e desiste, mas ele precisa ter em mente que sua dificuldade é uma questão de preparo, não de inteligência. Com esforço, uma pessoa é capaz de tudo. Não há grandes segredos”. 


Letícia Rodrigues, 17 anos, de São Sebastião (SP), sabe disso: “Agora tenho que estar mais focada ainda, porque a meta não é a aprovação em um vestibular. Este é o começo de toda uma carreira”, diz ela, que passou no curso de Odontologia na Unesp e será a primeira pessoa de sua família a estudar em uma universidade pública. Para se preparar, fez um cursinho de três meses e não largou os livros até o dia das provas. “É preciso estar certo do que quer e ter o objetivo muito claro na mente, pra manter-se focado por tantos meses sem desistir. Tive de abrir mão de algumas coisas na minha vida social, mas posso dizer que valeu muito a pena”, afirma.
Entrevista
Alue Gomes, 19 anos, de Bauru (SP), passou em Fonoaudiologia na USP e em Terapia Ocupacional na UFTM. Escolheu a USP. Além de ter estudado em uma escola pública que lhe deu pouco preparo para o vestibular, ela ainda trabalhava e precisou fazer dois anos de cursinho para conseguir realizar seu sonho. Mas não desistiu. No bate-papo a seguir, ela conta como enfrentou as dificuldades:
Quando você começou a pensar no vestibular? Foi sua escola que deu as primeiras informações?
Comecei a pensar no vestibular apenas no último ano do ensino médio, e na verdade nem tinha noção do que era a prova. Não foi minha escola que deu as primeiras informações, eu vi no ônibus que ia ter processo seletivo do cursinho popular da Unesp e me inscrevi. Foi sorte eu ter entrado no cursinho e ter contato com uma universidade pública, porque eu nem sabia as diferenças entre públicas e particulares, achava que todas eram pagas.

Você acha que sua escola te preparou bem para o vestibular ou Enem?
Não, até o 3º colegial eu não gostava de estudar, só copiava as matérias, e a maioria das provas eram com consulta. Você não precisa provar ter conhecimento para passar de ano, então fazer ENEM ou qualquer outro vestibular é um choque de realidade. Fora a bagunça que os alunos fazem, tornando o ambiente escolar quase insuportável.

Seus colegas de sala também estavam preocupados com o vestibular? 
De uma turma de 45 alunos, apenas eu e outra colega frequentamos um cursinho pré-vestibular. Uma vez perguntei na sala se todos tinham se inscrito no SISU e a maioria nem sabia o que era.

Como você lidou com a pressão do ano de vestibular? 
O primeiro ano de cursinho foi muito difícil, pois eu não conhecia várias matérias e assuntos. Já o segundo ano de cursinho foi mais tranquilo, pois eu já sabia por onde começar, quais eram minhas dificuldades e a melhor forma de estudar.

Como foi sua rotina de estudos? Onde você buscou informações para complementar o que recebia na escola? 
Eu trabalhava em período integral e ia para o cursinho de noite. Não tinha tempo para estudar em casa, então aproveitava os fins de semana e o horário de almoço do serviço para rever a matéria do cursinho. Usei a internet para ver videoaulas, participei de grupos de estudos em redes sociais e comprei as revistas do Guia do Estudante, que me auxiliaram muito na interpretação de textos, gráficos e imagens.

Que dicas você acredita que são importantes para quem vai prestar o vestibular e vem de uma escola pública? 
Independente do curso que você irá prestar, da concorrência e dificuldades, acredite que você é capaz e pode alcançar seu objetivo!

Com informações do Guia do Estudante

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