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Fátima Nunes e Joseildo Ramos são acusados de organizar as vaias para deputados e aliados cobram explicações de Rui Costa

Publicado por Rodrygo Ferraz em quinta-feira, 30 de março de 2017

Filho do vice-governador João Leão (PP), o deputado federal Cacá Leão (PP) não gostou nada da declaração do governador Rui Costa (PT) sobre as vaias que os parlamentares João Carlos Bacelar (PR) e Mário Negromonte Júnior (PP) receberam em inaugurações promovidas pelo Estado na semana passada. Todos eles integram as bases de apoio tanto do Palácio de Ondina quanto do presidente Michel Temer (PMDB).
Ao ser provocado pelo bahia.ba sobre o assunto, o petista atribuiu os episódios a “avisos do povo” e disse já ter alertado os aliados de que as manifestações “serão ainda mais constantes daqui para a frente”. Nos bastidores, comentou-se que os parlamentares ficaram tão chateados com a declaração de Rui que ameaçam até boicotar a participação em futuros eventos com o chefe do Executivo baiano.
“Não estou sabendo de nenhum boicote. Mas acho que o governador tem que se preocupar com esse tema, porque, se ele tiver os deputados da sua base sendo hostilizados por militantes do partido dele [PT] ou de outro, e não tomar uma posição, vai ficar difícil comparecer aos eventos. Se está assim nesse momento, imagine como vai ser no tempo da eleição. Nós vamos dividir o mesmo palanque desse jeito?”, questionou o pepista, em entrevista ao bahia.ba.
Colega de Câmara de Cacá, João Carlos Bacelar (PR) endossou o discurso sobre a “insatisfação” dos parlamentares. Afirmou que as vaias vieram de “sindicalistas do governo” e disse que Rui Costa tem “autoridade para enquadrá-los”. “Votei a favor da terceirização e voto de novo, porque acredito que trará o retorno do emprego. Hoje, temos 13 milhões de desempregados e, se não mudar [as regras], vamos chegar a 20 milhões no final do ano. Todos que vaiaram estavam com a camisa da CUT e não votam nem em mim nem em Cacá”, reconheceu.
Os congressistas fizeram questão de ressaltar a importância que têm tido para buscar recursos e obras com o governo Temer para a Bahia. Cacá Leão chegou a afirmar que situações de hostilidade, como as ocorridas, podem “influenciar” no cenário em 2018.
“Foi algo organizado [as vaias]. Deveria ter havido alguma fala dele [governador] no sentido de preservar a imagem dos dois parlamentares que foram hostilizados, que estavam inaugurando obras. Muitas delas, inclusive, levadas pelos seus esforços aqui em Brasília. Não dá para se discutir esse assunto agora [de sair da base de Rui Costa]. Mas é uma questão que vai influenciar na posição dos parlamentares com o partido. A nossa função aqui em Brasília tem sido de ajudar – e ajudar muito – a Bahia. Por diversas vezes, vou com secretários de Estado para audiências, que não são da minha alçada e do meu interesse, mas sei que isso vai ajudar a Bahia. Então, a gente procura fazer essa interlocução, que hoje o governo do Estado não tem em Brasília e depende dos deputados, senadores e do vice-governador”, ressaltou, ao salientar que a relação de Rui com Temer hoje é “zero”.
Coerência – Já o deputado federal Mário Negromonte Júnior fez questão de lembrar que foi relator de um projeto de lei na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) da petista Maria Del Carmen para regulamentar a terceirização no estado. Na época, o governador era o hoje secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jaques Wagner (PT). Segundo ele, a proposta era para evitar “calotes das empresas”.
“Colocamos ali todos os benefícios da CLT para os terceirizados, que não tinham naquela oportunidade. […] Agora, será que tem algum terceirizado no Estado? Será que tem algum terceirizado na Secretaria de Saúde? Na Secretaria de Educação? Queria que me respondessem. Quando você é contra, você é contra tudo. Você não pode ter nada. A pergunta é: quem está sendo coerente? Eu fui relator no governo de Jaques Wagner, fui convidado, inclusive. Tem terceirização no Estado? Se tem, o governador [Rui Costa] podia desfazer o projeto do governador Jaques Wagner e chamar o concurso público imediatamente. Acho que é melhor o governador se posicionar sobre os terceirizados do Estado da Bahia e responder se professor ou médico é atividade-meio ou fim”, pontuou.
De acordo com o parlamentar, “lideranças locais” acusaram os deputados estaduais Fátima Nunes e Joseildo Ramos, ambos do PT, de organizarem as vaias.

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